Uma Ligação Comum – Um grupo de apoio para actuais e ex-Testemunhas de Jeová GLBTQ

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Uma Ligação Comum

A história de Jason

Fui criado como uma Testemunha de 4.ª geração no estado da Geórgia. Tenho agora 28 anos, e para resumir a minha história em poucas palavras, digo-vos que, tendo um legado familiar de quatro gerações por detrás de mim, fui capaz de fazer muito daquilo que desejava, embora com toda a honestidade eu acreditasse que estava na Verdade. Eu escolhi ser celibatário, não namorar com mulheres, e o meu melhor amigo era outro adolescente homossexual “celibatário”. Toda gente pensava que nós namorávamos. Ninguém se atrevia a abordar-me acerca disso, porém. Só 3 anos atrás é que um amigo me falou sobre o assunto.

Fui pioneiro durante os últimos anos da minha adolescência, e fui aceite em Betel em 1990. Trabalhei lá durante 3 anos e gostei da maior parte da experiência. Infelizmente, perto do final da minha estadia, eu estava a chatear um ancião da minha congregação, um “ancião de Betel”, que pensava que era melhor que todas as outras pessoas. Eu desafiei-o em várias ocasiões quando ele não seguia o protocolo, e ele decidiu que eu estava “espiritualmente fraco” e precisava de um estudo bíblico. Eu ri-me na cara dele e fui ter com os meus superintendentes em Betel. Eles também se riram. A situação perdurou por vários meses e decidi que era altura de eu sair, por isso saí em 1993.

Finalmente saí da organização em 1996 depois de me ter mudado para Nantucket Island, em Massachussets, na esperança de me tornar “mais forte espiritualmente”. É que eu tinha estado a explorar questões de metafísica e a descobrir capacidades naturais que eu tinha ignorado ou que, para ser mais correcto, não tinha reconhecido (todos as temos também!). Isso ajudou-me a melhorar o meu discernimento acerca daquilo que eu pensava ser a verdade. Analisei o que eu sabia como uma Testemunha e comparei-o com o bom senso. Comecei a questionar o Deus da Bíblia e a perguntar questões tais como: “Porque é que um deus supostamente omnisciente é assim tão fraco? Porque é que Deus mataria os filhos pelos pecados dos pais? Qual era o motivo de matar o filho de David e Bateseba se a criança era o único inocente?”

Isso levou a que eu me examinasse com mais profundidade... Depois comecei a ver outras publicações “espirituais”. Esta busca começou com algumas coisas da Nova Era, mas depois expandiu-se, progredindo em várias direcções, para todo o tipo de coisas. Ganhei uma melhor compreensão daquilo que sinto que é a verdadeira espiritualidade, isto é, estar ligado ao nosso próprio espírito primeiro, e depois perceber que ele nos pode guiar pela vida se simplesmente o escutarmos. Chama-se intuição e todos a experimentamos. Só não conseguimos saber sempre reconhecê-la por aquilo que é.

Depois de me ter mudado para Nantucket para a minha “cura espiritual” como uma TJ, eu fiquei realmente desperto para o conflito existente dentro de mim. Não sexualmente, mas a nível doutrinal. Eu não conseguia conciliar as ideias e ensinamentos das Testemunhas com aquilo que eu estava a sentir por mim mesmo. Mas agarrei-me à ideia de que “não importa aquilo que as palavras dizem, basta manter a fé em Jeová e tudo irá correr bem. Ainda tenho a minha espiritualidade”. Bom, isso simplesmente não aconteceu.

Eu estava sentado no Salão do Reino um dia e a congregação estava a ler o Ministério do Reino de Julho de 96. Eu não estava a prestar atenção à reunião. Ao invés, estava a ler outra coisa qualquer quando dei pela definição de espiritualidade segundo a Sociedade. Era um artigo no Ministério do Reino de Junho ou Julho sobre aumentar o tempo dedicado ao trabalho de campo, e dizia que “uma maior actividade no campo ajuda a construir a sua estatura espiritual”. Essas foram as palavras de que eu estava à procura. Eles diziam no artigo que se podia ganhar estatura espiritual através do trabalho de campo. Bem... Eu sempre pensei que a espiritualidade não podia ser “merecida”... Comecei a rir às gargalhadas ali mesmo, na reunião, durante o discurso, levei com os olhares da congregação, olhei para algumas pessoas e saí.

Elas pessoas sabiam no momento em que estabeleci contacto visual com elas aquilo que eu estava a fazer. Fui ao meu escritório, escrevi uma carta de 5 páginas e dissociei-me. Falei sobre algumas coisas que tinha visto quando era criança, adolescente, e mais tarde Betelita, que me convenceram que as TJ já não tinham aquilo de que eu precisava. Contei-lhes algumas situações que a minha família tinha suportado às mãos dos mais influentes a nível político e as batalhas que tinham sido travadas e perdidas por causa de algumas posições inflexíveis. Desabafei acerca de toda uma história de vida naquelas páginas. Disse-lhes para não me contactarem, que eu sabia o que estava a fazer e que deveriam anunciar o meu nome na reunião seguinte. Assim fizeram. Nesse mesmo mês, eu “lembrei-me” de que era homossexual e que poderia, pela primeira vez na minha vida, experimentar a minha sexualidade. Sempre me senti um pouco subdesenvolvido, pois comecei a fazer aos 25 anos aquilo que a maior parte dos rapazes faziam durante a sua adolescência, isto é, explorarem-se a si mesmos e ao sexo. Mas estou a lidar melhor com isso agora aos 28. Mudei-me de novo para minha casa na Geórgia no Inverno seguinte. Foi difícil estar “no mundo” pela primeira vez. Eu tinha pouca educação, não estava debaixo das asas protectoras da Organização, e tinha que me defender a mim mesmo. Tive a oportunidade de mudar para Seattle e aproveitei-a. Desenvolvi uma nova vida, com amigos e até mesmo um namorado ou dois nos dois anos desde que vim para cá. Sou mais feliz que alguma vez fui, embora às vezes me sinta como uma criança inexperiente. Ainda estou a aprender muito. Tenho um emprego decente no ramo dos empréstimos a estudantes com benefícios incríveis e uma reforma garantida. Não me sinto culpado por estar a trabalhar por um futuro “no mundo”, porque é essa a realidade.

É onde vivo. Já não é o mundo que me assusta. O que me assusta é a ignorância, ignorância voluntária, das pessoas que não querem expandir a sua mente. Nunca mais serei assim.

Jason E.
Seattle, WA

"Um homem convencido contra a sua vontade conserva sempre a opinião anterior." - Dale Carnegie.

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A rede Uma Ligação Comum na Comunicação Social newsEstamos muito contentes com o facto de os órgãos noticiosos terem noção da existência da Uma Ligação Comum e do trabalho que temos vindo a desenvolver para prestar apoio às actuais e às ex-Testemunhas de Jeová gays e lésbicas.

Nós “atacamos” as Testemunhas de Jeová? bashTal como seria de esperar, este site não é visto de modo favorável pela religião das Testemunhas de Jeová (TJ). Os seus membros são ensinados a pensar que a homossexualidade é “um pecado”, “uma abominação”, “algo detestável”, e muitas outras e diversas palavras associadas com o mal. Estes ensinamentos baseiam-se em determinados textos bíblicos que, no entender das TJ, condenam a homossexualidade.

Eventos de Orgulho GLBT prideNos anos 1998, 1999 e 2000, uma equipa da rede Uma Ligação Comum marchou na Parada do Orgulho GLBT em São Francisco, na Califórnia, para deleite de aproximadamente um milhão de espectadores que todos os anos assistem ao evento na Market Street. Também aparecemos na emissão televisiva do canal TV-20, de São Francisco, divulgando assim a ULC para centenas de milhar de telespectadores adicionais.

As nossas históriasadeusNestes largos anos decorridos desde a fundação da rede Uma Ligação Comum, aprendemos que cada um dos nossos membros tem uma história única para contar sobre as suas experiências como um membro das Testemunhas de Jeová. Temos publicado as histórias de alguns dos nossos membros, na expectativa de que você encontre a força e a esperança de que precisa, e acima de tudo, a consciência de que não está só.

A Torre de Vigia tenta silenciar-nos... Mas fracassa! censorshipa sexta-feira, dia 24 de Julho de 1998, o acesso ao site do nosso grupo foi bloqueado sem qualquer notificação prévia pela GeoCities, onde este site estava na altura hospedado.

A ULC a fazer-se sentir localmente presenceTodos os anos realizam-se Assembleias de Distrito das Testemunhas de Jeová no Cow Palace na Geneva Avenue, em Daly City (nos arredores de São Francisco). Nos últimos dois anos, nós temos feito sentir a nossa presença durante esses eventos estacionando os nossos veículos do outro lado da rua, em frente ao Cow Palace, com cartazes a fazerem publicidade ao nosso grupo de apoio, preenchidos com números de telefone e o endereço do nosso site na Internet.

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