A história de Marc

ULCCresci praticamente dentro do Salão do Reino. Os meus pais tinham começado a interessar-se pela Organização por altura do meu nascimento. As coisas correram bem até aos meus 9 ou 10 anos. Foi quando comecei a reparar que não me sentia confortável com as coisas que estava a ouvir.

Quando eu me sentava a ouvir as palestras aos domingos e na Escola do Ministério às quintas-feiras, dava por mim a dizer-me cada vez mais vezes a mim mesmo: "isto não pode estar correcto". Por aquela altura os meus sentimentos não eram certamente uma questão de escolha. Eu já tinha olhado de uma certa maneira para alguns rapazes no Salão do Reino, e quanto às meninas, eram-me totalmente indiferentes. Durante os anos seguintes, o conflito dentro da minha mente tornou-se cada vez mais intenso.

Não tinha ninguém com quem falar, e as coisas não pararam de piorar. Uma coisa de que eu estava certo que não queria fazer a mim mesmo era ser um hipócrita. Por isso, quando eu fiz 13 anos arranjei coragem e contei à minha mãe que não queria ir a mais reuniões. Felizmente não acabei "sete palmos debaixo de terra". Surpreendentemente, ela respondeu simplesmente: "Bem, tu lá sabes o que fazes". É claro que não lhe contei por inteiro os meus motivos.

Eu sabia que não ia encontrar nenhum apoio dentro da Organização, por isso, para quê sujeitar-me a tamanha dor? Durante todo o meu percurso escolar mantive-me muito reservado, sobretudo por medo das minhas acções e receios. Eu não tive nenhuma namorada até aos meus 21 anos, e nessa altura os meus verdadeiros sentimentos tinham ficado simplesmente adormecidos. Eu queria "representar bem o papel", para não desapontar ninguém. Durante todo aquele tempo em que o fiz, estava sempre a dizer: "Jeová, não acredito que queiras que a minha vida seja assim".

Enquanto isso, cheguei a casar-me, aos trinta anos. Que grande erro! Depois de o casamento fracassar, finalmente acordei e disse: "basta". Se Jeová Deus realmente nos colocou cá na Terra, foi para que nós pudéssemos ser felizes, para sermos quem somos! Eu decidi que era altura de viver para mim, não para os outros, altura de viver a minha vida tendo a absoluta convicção de que a Bíblia tem sido grosseiramente mal-interpretada.

Desde que fiz essa mudança, tenho-me sentido muito melhor sobre mim mesmo, e acredito que Jeová ainda me aceita como uma pessoa com valor. O meu conselho para qualquer pessoa que esteja a ler estas linhas é que olhe para dentro de si com muita atenção, aceite aquilo que não pode mudar em si mesmos e então viva a sua vida. Do mesmo modo, acredito que Jeová irá olhá-lo com todo o amor e compreensão que Ele pode dar.